Praticando: sketch de modelo

Depois de ter perdido duas ótimas oportunidades de fazer desenho de modelo vivo por mera desatenção (inclusive, Deus, se houver uma próxima vida, por favor, me faz uma pessoa atenciosa, porque ta difícil viver do jeito que eu sou hoje.) Frustrada por ter sido trouxa, encuquei que pelo menos voltaria a fazer desenhos de modelos/estudos de anatomia periódicos por conta própria!

Porém…

O ser humano adora problematizar. Eu, principalmente (alias, Deus, na próxima vida eu também podia ser ser menos problemática, né? Brigadaê.) E antes de começar efetivamente esse meu projeto, eu já encuquei que precisava de um caderno novo exclusivamente pra isso.

É aquela coisa: desenhos desse tipo eu gosto de fazer bem grande, de mexer muito o braço, e eu sou espaçosa sem pena. Não acho que aprender desenho de anatomia dê certo economizando espaço, então eu loto folhas e folhas com facilidade (que pra mim é muito gratificante e triste ao mesmo tempo, porque no final eu morro de pena de olhar pro bolo de papel e pensar que aquilo virou lixo*).

Enfim.

A introdução é enorme só pra dizer que, finalmente, começarei essa pratica maravilhosa do desenho de anatomia por motivos de: comprei meu caderno A3.

Palmas, sim?

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(Sim)

Ele é um sketchbook bem simplezinho, na real. Tem 80 folhas de 90g/m2, é grande o suficiente pra que eu consiga botar no colo e desenhar de boas, embora seja meio molengo demais. A marca dele é da própria papelaria sim, e eu o comprei por motivos de: de novo, fiquei com pena de gastar dinheiro pra fazer desenhos tão simples que não vão ter serventia nenhuma depois. Plus: a capa dele é tão mais bonitinha que os blocos de folha normais.

Ok! Então agora eu tenho onde desenhar!

Mas… ainda falta a coisa mais importante… tipo assim… a referência.

Tudo bem. Na verdade, esse problema já estava resolvido bem antes do “onde desenhar”.

O site de referência que eu uso ha tempos é o Quick Sketch. A proposta dele é bem legal pras pessoas que não fazem curso, não conhecem ninguém disposto a posar, mas ainda assim, querem praticar. La da pra escolher que tipo de foto eu desejo visualizar e desenhar, o tempo que a foto vai permanecer na tela, me da a opção de pular quaisquer fotos que eu não estiver muito afim de fazer, e no final de tudo me mostra todas as fotos que me foram propostas. Desse jeito, alem de aprender o obvio que é desenhar o corpo humano, da pra praticar velocidade, percepção, essas coisinhas.

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(Ooopa, linda, esqueceu que o carvão deixaria marca fácil na outra pagina, né?)

Eu acho a biblioteca do Quick Sketch muito boa, porque raramente eu vejo fotos se repetindo, o que significa que, das duas, uma (ou das duas, as duas): ou o acervo de imagens é enorme, ou eles adicionam imagens novas com frequência.

Queria poder dizer isso com mais propriedade, mas não posso deixar de considerar que até hoje eu sempre acessei o site muito esporadicamente – e bote esporadicamente nisso, tipo… uma vez a cada seis meses (SHAAAME).

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Hoje, marcado, dia 19 de Março de 2016, teje proclamada a abertura da temporada de desenho de modelo. Preferencialmente com carvão, porque eu tenho uma caixa anciã de carvão em barrinha, que já vai fazer uns 10 anos que ta no meu estojo, e eu preciso usar agora por uma questão de honra!

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Como deu pra ver, passei 30 minutos desenhando figuras por 90 segundos (mas às vezes eu enrolava até mais ou menos 120 segundos, pra desenvolver um pouco mais o desenho enquanto passava uma imagem feia; shame, de novo).

Pensando aqui, rapidinho: se eu desenhar todo dia, meia hora, nessa mesma quantidade de folhas, termino esse caderno em um mês (!!!) Mas, me conhecendo bem, sei que ele vai durar bem uns seis meses, porque eu sou desregrada mesmo, e não sei colaborar nem com meus próprios projetos.

*sei que não é lixo liiiixo mesmo, porque afinal, foi útil sim na hora de praticar, e não posso menosprezar isso. Eu só quis dizer que aquele papel não vai ter utilidade alem de amontoar no meu quarto, coberto de valor emocional, já que eu eu raramente tenho coragem de me desfazer. A unica saída é enviar pra reciclagem porém, risos, eu nunca fiz isso (SHAAAAME – de novo, novamente).

 


Utilidade publica:

Eu sou viciada em YouTube, e pra não dizer que uso a rede so pra assistir Daily Vlog dos outros, comecei a procurar uns canais de desenho, e nessa eu encontrei o Proko! Ele ensina de um jeito muito legal sobre anatomia no desenho (nota: é em inglês)

Tambem comecei a ler uns livros legais sobre soltar a mão, coisa e tal, mas… vou deixar esses pra citar em outro post. Tenho que ter pauta de vez em quando.

Eu “li”: The Art of Tonari no Totoro

Não se nega a importância de Hayao Miyazaki na a animação 2D, mas de uns meses pra cá, confesso que tenho admirado cada vez mais o seu trabalho – principalmente depois que descobri os artbooks dos seus filmes mais famosos, como o de Meu Vizinho Totoro.

(Pausa para a observação: sim, recentemente ele mudou de ideia e se rendeu ao 3D, mesmo que apenas para um curta-metragem, mas não acho que isso seja de todo mal, porque ou era isso, ou era aposentadoria. Sabe-se la como esse cara vai adaptar a estética do 3D pros seus gostos, mas confesso que tô bem curiosa pra ver como isso vai se desenrolar)

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Eu (re)descobri Totoro depois de “velha”, e num primeiro instante fiquei meio decepcionada com o que assisti porque, de alguma forma, eu tinha uma expectativa enorme pra ver uma fantasia muito mais exagerada – mas calma! Economizem nas pedradas, porque eu sei que estou cometendo um crime hediondo declarando esse tipo de coisa, mas vou me explicar melhor quando postar especificamente sobre o filme.

Hoje eu claramente me arrependo de um dia ter dito que Totoro não era “tudo aquilo que falavam”, e tenho o maior carinho pelo filme <3 Estranhamente, o que eu mais gosto hoje é exatamente a sutileza que eu não gostei da primeira vez que o vi. Explica essa, Freud.

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O artbook mostra o processo dos designs dos personagens, partes do storyboards, croquis em aquarela, imagens de artes finalizadas, mapas (!!),  a planta baixa da casa da família (!!!), alem de varias pequenas notas, que juntas explicam a maior parte dos desafios de montagem do filme (às vezes até em forma de citação: a maioria do próprio Miyazaki, outras de Kazuo Oga, o diretor de arte).

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Mas uma das coisas que mais me encanta no livro todo é que, folheando, da pra ver o quanto o filme é verde.

Do nada, verde. Pois é.

Miyazaki sempre arranja uma brecha nos seus filmes para falar da relação do homem e a natureza, e numa historia sobre Totoro, o espirito da floresta, não podia ser diferente. Todas as artes de exteriores são trabalhadas em pequenos detalhes de uma sutileza muito icônica, e toda vez que eu abro o livro numa pagina aleatória, quase posso ouvir aquela cigarra que tem em todos os animes cantando ao fundo.

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Eu não valorizava tanto assim artbooks, até folhear esse. Ele é uma senhora referência a quem gosta de aquarelas, ou mesmo pintura em guache/tinta acrílica. <3

Alias, qualquer artbook do Miyazaki deve ser.

Eu reassisti: Tonato no Totoro

A primeira vez que assisti Meu Vizinho Totoro foi depois de velha, cheia de expectativas exageradas e fantasiosas tudo errado. Explico: achei que era uma fantasia carregada, cheia de surpresas mirabolantes, uma trama cheia de aventuras de uma turminha do barulho se metendo em altas trapalhadas, por motivos que nem eu saberia explicar agora. Confesso, preparada para pedradas, que detestei da primeira vez que o assisti. Achei meio bobo, não sei.

Mas calma!! A historia não acabou!

No fim do ano passado, zanzando por umas lojinhas da cidade, encontrei o artbook do filme cheio de aquarelas, pontuando cada técnica usada pra animação, e fiquei toda derretida. Comprei. Antes disso, também, acabei caindo numa loja de produtos tradicionais japoneses, e como estou na França, um pais que consome muito de anime/manga em geral, também encontrei muitos produtos relacionados a isso. Um deles sendo um porta-lápis de Totoro. Como um nítido exemplo de uma pessoa descontrolada sobre meus si mesma, comprei. Mas por que eu faria isso se eu nem gosto tanto do filme? Tendo esse bonequinho todos os dias me encarando de cima da escrivaninha, me julgando silenciosamente, resolvi dar outra chance. E finalmente, adorei (!)

Não sei se é a saudade de casa e da família, ou se foi só o fato de estar com menos ansiedade e expectativa, ou de ter lido/visto o artbook… mas o que importa é que eu fiquei bem tocada depois que acabei.

Como (quase) todo mundo sabe, esse é um dos primeiros e mais famosos filmes produzidos pelo Studio Ghibli, escrito e dirigido pelo Hayao Miyazaki, datado de 1988 (!!!! sim, eu também estou bem chocada). Ganhou vários prêmios de animação no Japão, inclusive.

O filme conta a historia das irmãs Satsuki e Mei, que se mudam para uma vila rural com o pai. Como duas crianças pequenas comuns, as meninas se divertem descobrindo a casa nova e as redondezas (que, basicamente, é mato, floresta, etc). Numa dessas, a caçula Mei encontra com Totoro, o espirito da floresta, e eles se tornam amigos. E com o passar da historia, as meninas se encontram com ele mais algumas vezes, em especial quando precisam de ajuda.

O filme é todo cheio de sutilezas, porque afinal de contas, é focado em duas crianças. Tem vários momentos de silêncio, por exemplo, ou de brincadeiras das irmãs que se passam por situações cotidianas, mas quem assiste com um pouco mais de sensibilidade sabe que são muito mais do que isso. O filme, alem de ser muito família, trata também sobre a importância da preservação da natureza – o que é muito legal de ver, porque essa não é a unica vez em que Miyazaki deixa clara sua opinião quanto a boa relação entre homem e natureza.

Ainda falando de sutilezas, eu achei muito legal como os personagens são expressivos mas sem precisar apelar pra alguns dos clichês dos animes em geral. Poreeem… tem algo nesse ponto que me irrita um pouquinho, que é a dublagem japonesa. é aqui que se encontra o maior exagero dessa tal expressividade. Mas ok, tem que lembrar que o filme se trata de duas crianças, então esta permitido umas cenas um pouco mais histéricas que outras – ate porque tem coisas que são culturais e, enfim, releváveis, porque afinal, o filme não deixa de ser bom só por causa de dublagem.

Enfim, voltando às sutilezas e expressividade: uma das minhas cenas favoritas, que acontece logo no inicio, é quando a mais velha, Satsuki, esta procurando algo pela casa, e a Mei sai atras imitando cada fala e passo seu, tentando se espelhar na irmã (ownnn). Ou nas cenas em que as pequenas vão com cautela pra subir ou descer degraus da casa nova. Ou todas as cenas em que a Mei dorme (que eu não posso sair pontuando porque não sei ate onde é spoiler). Ou a clássica cena das meninas na chuva com o Totoro (como eu pude não gostar dessa cena da primeira vez que vi???)

Em questão de técnica de animação, o artbook me abriu os olhos pra alguns detalhes muito legais que eu nunca teria me tocado sozinha. Por exemplo: todos os personagens humanos tem o contorno marrom, visando um resultado mais “quente” e acolhedor (!); as sombras na maioria das vezes são de uma forma preta chapada, porque não mescla com o plano de fundo, já que cada parte é feita separadamente; apesar disso, para fazer os personagens translúcidos, foi usado o aerógrafo para conseguir mescla-los ao fundo com sutileza, e dar pra ver por dentro deles. Enfim, varias soluções da animação tradicional, que eu nunca teria pensado sozinha, mas depois que vi relatado no livro fizeram todo sentido do mundo pra mim.

Enfim, eis uma animação bem recomendada pra todo tipo de publico, porque é simples de entender, e ainda é cheio de pequenos significados, que mesmo as crianças que não entendem um dia vão compreender – alias, um pequeno adendo: o próprio Miyazaki explica que esse é um conceito muito interessante, e que certamente o marcou quando alguém o explicou pela primeira vez; talvez seja a influencia desse pensamento que o inspira a criar historias sutis, disfarçadas de filme de criança, mas que qualquer adulto que assiste admira.

Utilidade publica:

Videos:
Hayao Miyazaki – Everything by Hand, do canal RCAnime
Fast facts bem bonitinho
Musica tema só porque é bem fofinha

Video do Channel Awesome
Conspiracao – “Is Totoro the angel of death?”

Step by step: Mulan!

Quando se tem vontade de praticar, e ao mesmo tempo inspiração insuficiente pra fazer uma peça autoral, a gente vai la e faz fanart, né?

Então tome um fanart dessa menina bonita, nesse mês bonito, pra comemorarzinho o Dia Internacional da Mulher (‘:

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Minha garotinha, tão crescidinha e… salvando a china!


Entããão…

Talvez eu tenha resolvido colocar o print à venda.
Talvez tenha disponível em almofada.
E caneca.
E tote bag.
E capinha de celular.
E adesivo.

Talvez esteja disponivel no meu Colab55.

ArtHaul de Março: A Maniaca da Papelaria #1

(Pausa para minha semi-emoção que é escrever Alguma-Coisa-Haul em algum lugar)

Março foi um mês de muita experimentação, porque afinal, o Cintiq ainda é novidade na minha mesa, tenho acesso relativamente facil a todo tipo de material de pintura tradicional, e as papelarias daqui são verdadeiros sonhos não so pra quem pinta mas pra quem se envolve com absolutamente qualquer trabalho artesanal. Dessa forma, preciso confessar que talvez eu tenha me descontrolando um pouquinho e comprado mais do que eu precisava/podia (isso provavelmente tornará Abril um mês paradinho, porque dinheiro não da em arvore, não é mesmo?).

Começando pelo caderno para desenho de observacao do tamanho A3 que eu me dei de presente: 80 folhas de 90g/m2 como eu disse aqui – e como deixei claro que é puro amor.

Fora isso, também estou com um maravilhoso kit 24 marcadores da DB-Twin. Os marcadores, na verdade, são da marca da papelaria a qual eu frequento desde o primeiro dia que pisei em Nantes: a Dalbe (que la no começo era minha vizinha )’: saudades eternas). Foi a opção mais variada e barata que encontrei, os marcadores me parecem ser de super qualidade, bem pigmentados e nas cores suficientes que preciso. Ja fiz uns testes com eles e me serviram mais do que o necessario! Mas ok, isso é porque eu ja tinha um kit de marcadores cinzas da Promarker, e nesse de 24 cores não veio nenhum cinza. Curiosamente tambem nao veio nenhuma tonalidade clarinha, o que me leva a comprar um…

.. kit de 6 cores pasteis da Promarker. Sim, dentro de uma papelaria eu não tenho controle sobre mim mesma. Também ja experimentei e ja adorei os resultados <3 Eventualmente vou aumentar a coleção experimentando de outras marcas, quando eu resolver comprar de novo.

Continuando na pilha da “maniaca dos kits”, inventei de comprar o kit de lapis-pastel de 12 cores da Faber-Castell. Como faço questão de reiterar: dentro de papelaria de artesanato eu não me responsabilizo pelos meus atos. Pastel seco por si so ja é um material sensacional mas faz uma sujeira sem fim, como o carvão. Por isso eu sempre prefiro usar esses tipos de materiais na versão de lapis, que me suja menos (porém não posso negar que é uma senhora trabalheira pra conseguir apontar esses infelizes). Mas eu gosto de apontar meus lapis no estilete, então com muita paciência da pra aponta-los mais ou menos direitinho. E pra esfumar esse tipo de material, acabei comprando um  pincel da Daler Rowney de 1″ (redondo, fofinho e enorme).

As coisas mais exoticas que comprei foram dois pinceis de ponta fina: um Molotov prateado 1.5mm e um Edding 0.8mm da cor bronze (055). Acho legal usar em detalhes dos desenhos. O ponto positivo do Molotow é que da pra ver a quantidade de tinta que tem pela lateral da caneta, porem o Edding me ganhou por causa da ponta fina mais confortavel, ja que é menos apta a melequeira

Por fim (ouvi um “aleluia”?), trouxe pra casa 12 folhas de papel preto Clairefontaine 160g/m2. Fiz uns testes nesse bonitinho com tinta guache e pastel, e deu um resultado bem legal – pena que foi desperdiçado num trabalho da faculdade, que não sei se um dia vou publicar na internet, ja que é meio fora da minha proposta normal de ilustrações… Ainda assim, queria deixar registrado que o papel é bem sensacional, e eu to bem ansiosa pra usar pra algum outro desenho mais interessantinho.

UFA. Agora chega de compras, né? Vamo aquietar essa mão por uns meses ai.