Overview de Maio: vitorias e desastres

Eu, Amanda, declaro aqui que estou ciente da minha falta de responsabilidade em prometer mais do que pude cumprir nesse post. Apesar do afinco, não fui muito longe nas minhas realizações das metas de Maio. Passou dia 31, e nem tudo deu tão certo quanto eu gostaria.

Mas tudo bem, vamos lá ao saldo do mês:

Dentre as minhas leituras, eu pude:

  • finalizar O Fantasma da Opera e li 50% de Fantine  de Os Miseraveis. Pedi arrego para Harry Potter e a Ordem da Fênix (porém este foi devidamente iniciado).
  • finalizar o primeiro e segundo volumes de Gen, Pes Descalços, e espero em breve terminar os próximos oito volumes que me aguardam. Com muita do no coração abandonei O Alienista, que apesar de ser uma obra linda do Fabio Moon e Gabriel Ba, me deu um estranho incomodo de ler em francês, e eu acho que vou deixar para ler em português quando surgir a oportunidade.

Quanto aos filmes que vi:

  • recomecei a maratona Hitchcock com Janela Indiscreta, mas ainda me falta Psicose e Um Corpo Que Cai;
  • assisti Frankenstein (dos anos 30) e Uma Viagem à Lua (de tipo 1902!!) – e de quebra vi o tal Dracula também da década de 30, ainda seguindo essa minha onda de filmes classicões, preto e branco, etc e tal, e admito que estou bem orgulhosa dessa minha vibe cult diferentona (motivos que eu cito outro dia).

No “lado profissional”, eu pude:

  • adicionar ao meu portfólio meu projeto de lightning design (AEEEE);
  • adicionar um estudo de ilustração com thumbnails;
  • ajeitar o meu currículo “digital offline” (em pdf, e na reorganização do blog, que a partir de agora vai ser a minha central de todos as redes sociais, portfólios virtuais e afins)
  • porém não adicionei conceitos de arquitetura (ou cenários) em formato cartoon;
  • nem adicionei ao menos um storyboard de qualquer tipo que seja;
  • nem adicionei elaboração de personagens (ainda pensando no formato disso);

Acho que foi metade feito, e isso eu já considero uma pequena vitória.

Enfim. Não foi dessa vez que fiz tudo que prometi. Porem gostei de ter me esforçado ou minimamente me cobrado para alcançar esses objetivos. Talvez eu tenha exagerado na dose, mas certamente gostaria de fazer isso pro mês que vem (ou o próximo, ou fazer de novo daqui seis meses).

 

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Eu li: Blankets

Ha algum tempo eu fui indicada por um colega de intercâmbio a conhecer o trabalho do tal Craig Thompson, cujo nome não me era estranho, mas ainda assim eu não sabia dizer de onde tinha ouvido falar. O cara estava na Feira do Livro em Paris, então no mesmo periodo em que estava estudando a possibilidade de ir, também aproveitei pra conhecer um dos quadrinhos mais famosos do cara: o Blankets (ou Retalhos) de 2003.

Fiquei bem assustada com o tamanho do monstrinho, que numa edição unica ja jogou quase 600 paginas na minha cara – diz a pessoa que deixou de ler Sandman pelo desconforto com a grossura do livro.

Blankets, até onde entendi, é a autobiografia do Craig, nascido numa familia religiosa e rigida. Passa pela sua infância, adolescência, e chega até a universidade, então explora todo tipo de relação do cara: a dificuldade com os pais, o carinho pelo irmão, e o grande confusão se de na sua cabeça com a primeira namorada. *t

*textos em francês porque claramente, como aluguei o quadrinho na França, só pude encontrar nessa língua mesmo :p

Apesar de não contar uma historia muito surpreendente – porque, afinal, conta uma historia real, relativamente comum, facil de se relacionar, etc – tenho que bater palmas de pé pela representação gráfica de todo o quadrinho. O Craig Thompson me ganhou, acima de tudo, pela sensibilidade em tratar cada um dos assuntos, por mais bobo que fosse. Na real, ele aparentemente tem uma mão muito boa pra dar intensidade a cenas simples, e simplificar cenas muito pesadas; ou pra detalhar sentimentos/pensamentos visualmente de uma maneira que varias vezes eu precisei parar só pra absorver. Ou seja, ganhou minha admiração facinho, facinho.

O quadrinho é todo em preto e branco, sempre num formato muito cartunesco, mas isso não o torna desinteressante – pelo contrario! Tem um trabalho muito legal com texturas, estilos/traços diferentes, realidade misturada com imaginação, e enfim: o cara soube explorar muito bem todas as possibilidades com o nanquim. E isso se torna ainda mais visivel em quadrinhos sem texto, ou em desenhos de pagina inteira. Varias vezes o cara mostra que sabe exatamente o que ta fazendo, conseguindo encaixar riqueza de detalhes nesse traço (novamente) cartunesco.

Uma vez vi em um livro que “a imagem visível é a combinação do fatual mais a imagem mental” que guarda todas as memorias, emoções, etc. E sei la, achei sensacional os recursos visuais que o Craig Thompson usou pra explorar essa “imagem mental”. E é bem ai que eu acho que esta o maior forte dessa HQ: nas representações tão visuais de algo não-literal.

Fiquei curiosa pra conhecer outra das suas historias mais famosas, Habibi. 

Porééémm… esse é ainda mais assustador do que Blankets em quesito volume, então ainda preciso reunir um pouco de coragem antes de alugar. A vontade, porém, ainda é forte (‘:

Metas de Maio!

Eu acho que esse negocio de definir metas do mês estão me servindo bem como “guia a curto prazo de como organizar a vida para o longo prazo”. Essa é a forma que eu estou conseguindo melhor adaptar pra fazer as coisas que eu gosto em um tempo razoável, aproveitar meu tempo livre de forma produtiva e essa coisa toda.

Na verdade, isso começou quando eu decidi fazer o meu bullet journal – que na verdade é um local mais imediato onde descarrego minhas tarefas, ideias, ou quaisquer outras notas que vou recebendo durante o dia e preciso guardar para o futuro (para alguém com memoria curta como eu, algo assim salva a vida). O bullet journal me ajudou a visualizar bem as coisas que eu faço, as que deixo de fazer, a quanto tempo estou procrastinando, e como efetivamente fazer (ou não) certas coisas me atrasa com relação à minha própria vida.

Tem algumas coisas que não cabe compartilhar do bullet journal diretamente aqui, mas tem outras que acho que vale a pena deixar registrado “publicamente”, porque sei la, vai que faz alguma diferença em como eu encaro esses compromissos? Espero que esse tipo de registro me sirva de motivação para chegar onde eu quero. E, claro, espero conseguir atingir tudo até o fim do mês (lembrando que faltam vinte dias pra Junho, e algumas dessas metas já estão em andamento, então espero que dê tudo certo para que eu finalize a maioria das tarefas com honra e gloria).

Dentre as minhas leituras, eu quero:

  • finalizar 3 romances (estou exagerando para os meus padrões de leitora-preguiçosa? Claramente, sim, mas com força, foco e fé vai dar tudo certo): O Fantasma da Opera (40% lido), Fantine  de Os Miseraveis (10% lido) e Harry Potter e a Ordem da Fênix (intocado até o momento);
  • finalizar dois quadrinhos: Gen, Pes Descalços (mal comecei o primeiro volume de DEZ) e O Alienista (que foi o único quadrinho do Fabio Moon e Gabriel Ba que eu encontrei na mediateca daqui – e, diga-se de passagem, é muito interessante vê-lo todo escrito em francês).

Quanto aos filmes que quero ver:

  • vou continuar minha maratona Hitchcock assistindo Psicose, Janela Indiscreta e Um Corpo Que Cai;
  • vou assistir uns filmes classicões tipo Frankenstein Uma Viagem à Lua (são os que eu encontrei na mediateca até então, e não vou prometer mais coisa porque depois eu posso me arrepender de não conseguir alcançar a meta, mas se eu encontrar mais umas paradas mais velhinhas e tiver paciência pra assistir, vou tentar sim);

No “lado profissional” (ui ui ui), eu quero:

  • adicionar ao meu portfolio meu projeto de lightning design (esse nome ja da uma moral tão grande que nem sei);
  • adicionar conceitos de arquitetura (ou cenarios) em formato cartoon;
  • adicionar elaboração de personagens (ainda pensando no formato disso);
  • adicionar ao menos um storyboard de qualquer tipo que seja;
  • adicionar um estudo de ilustração com thumbnails;
  • ajeitar o meu curriculo “digital offline” (em pdf, bem bonitinho, pra sair enviando pras empresas assim que eu pisar de novo em São Luis).

Pausa pra respirar!

Eu, Amanda, declaro aqui que estou ciente da trabalheira que essas metas vão me dar, e declaro estar consciente de que estou pedindo de mim mesma muito mais do que a minha disciplina me permite fazer. Entretanto, reafirmo meu afinco em finalizar pelo menos a maioria dos itens supracitados até o ultimo dia desse mês.

Oremos até dia 31, e vai dar tudo certo.

Uma visão geral sobre morar na França

Quando escolhi vir pra França estudar, foi por vários motivos, por exemplo: eu queria “concluir” o meu estudo de francês, e ganhar alguma fluência (meio-check); queria ir a museus e conhecer a historia da arte que eu até então só via por reproduções digitais ou impressas (check!); e queria experimentar o estudo de arquitetura que essa outra cultura promove (acho que check).

Ganhei fluência no francês sim. Cheguei sem entender muito, com vocabulário limitado, não respondendo mais do que “ok” e “d’accord” pra todas as perguntas, com muita dificuldade de interagir. Foi complicado. Mas ai fiquei na casa de uma “família” (que, na verdade, era só um pai) e foi uma experiência ótima pra evoluir nesse quesito. O “meu pai” me levou pra vários lugares, me apresentou tudo que eu devia conhecer da cidade, me apresentou parte dos seus costumes e culinária, e me levou até pra viajar! Depois eu me forcei a ler livros de historias que gosto (ola, Harry Potter), onde aprendi expressões, assimilei todo tipo de conjugação verbal, memorizei um vocabulário que eu não sei se teria conhecido se tivesse apenas conversado com as pessoas, etc e tal. Mas claro, interagir com gente também foi muito importante, ou apresentar trabalhos em frente da turma, essas coisas. Eu naturalmente tenho muita dificuldade em me apresentar diante de um publico, fazer discurso ou sei la, e eu sempre falo incontáveis bobagens quando é necessário faze-lo. Ainda assim, não posso dizer que isso teve (tem) um efeito negativo no meu aprendizado da língua (em outros quesitos é uma bosta sim, mas pro tópico que estou comentando agora, tenho que confessar que foi bom).

Fui a muitos museus também – menos do que gostaria, porém. Vi galerias e exposições que eu nem imaginava, festival de dança, instalações de arte moderna, museus tradicionais… tudo. Mas é aquela coisa: o meu interesse principal estava na pintura. E sim, é absolutamente diferente poder dizer que estive de frente pra um quadro do que vê-lo reproduzido no papel. Não vou dizer que é absolutamente necessário ver tudo pessoalmente pra poder opinar alguma coisa, mas é uma experiência que não se descarta. Fui a museus em Madrid, Amsterdam, Paris e Florença. Vi Picasso, Kandinsky, Goya, Cézanne, Da Vinci, Van Gogh, Matisse, Toulouse-Lautrec, Tarsila do Amaral (do nada, mas pois é), Degas, Monet, Manet… Tudo que eu vi em aulas de pintura, videos de YouTube, livros de historia da arte, etc. Até os artistas que eu não conhecia o nome me ensinaram coisas maravilhosas. Tive muitas aulas de composição, volumetria, textura, e tudo que foi possível de absorver só de estar parada na frente de uma tela enorme.

E, por fim, esse negocio de aprender sobre arquitetura. Os franceses me parecem que pensam muto diferente quando se trata de qualquer área próxima da arte. Quanto à arquitetura, achei curioso como eles a tratam de de um jeito muito menos técnico e muito mais reflexivo (existem até duas palavras diferentes pra definir a “arquitetura técnica” e a “arquitetura reflexiva”). Eles tem uma noção muito incrível de que as vezes, o sentimento que a arquitetura proporciona é muito maior e mais subjetivo do que a gente pode listar com palavras. Não é como se alguém te perguntasse “e ai, o que você achou dessa construção?” e você fica sem saber o que responder, então ao invés de dizer que tanto faz, você diz “é, achei bom”. Os franceses tem uma noção muito verdadeira de que, quando dizem “é, achei bom”, a frase parece que carrega muito mais do que um eufemismo de “tanto faz”. Não sei explicar isso, mas parece que todo francês (ou pelo menos os que fazem arquitetura) tem uma dose de poesia muito solida dentro de si, e ao mesmo tempo muito visível. E é também curioso como eles nem sempre se tornam arrogantes por isso! Sabe aquela historia de “ver as coisas com olhar de criança”? De ser sincero, de não ter medo de interpretar de qualquer jeito, de experimentar sem hesitar, de ter curiosidade nas menores coisas, e de absorver as informações de formas bem individuais e diferentes? Esse tipo de “poesia” – porque além dessa visão livre, tem toda a maturidade que a pessoa leva da vida, todas as reflexões que já teve, toda sua personalidade e seus meios de se expressar, sei la. Isso só da pra se explicar citando exemplos do que eu vi, mas eu não quero que esse texto fique muito grande, afinal eu posso me aprofundar no tema em outro momento.

Sei la, o dia de voltar pra casa ta chegando, e eu confesso que to muito ansiosa – talvez até mais do que deveria. Eu queria poder ter tido uma experiência ainda melhor aqui, porque varias vezes eu me fechei sim na minha zona de conforto, fiz drama por bobagem, fiquei confusa com os meus próprios pensamentos, fiz escolhas erradas ou sei la. Mas é engraçado olhar pra trás e pensar agora em como eu podia ter feito as coisas diferente, mas ao mesmo tempo, como eu teria feito tudo igual. Estar sozinha é uma sensação muito estranha, e muito confusa pra quem sempre esteve seguindo os outros, ou se importando muito com o que as pessoas pensam, ou se espelhando nos atos de alguém, ou precisando de atenção constante pra abastecer o ego (ola, euzinha). Não é sempre esclarecedor como algumas pessoas pregam por ai; não é sempre confortável, também. A minha própria companhia as vezes é um saco. Mas eu sei que não da pra essa experiência ser perfeita. Enfim, eu estou tentando aproveitar esse momento pra dizer que, embora as coisas tenham saído errado varias vezes, embora eu ainda não saiba como lidar com um monte de problemas, embora eu ainda fique triste só por ter escolhido viajar… eu ainda agradeço por ter feito coisas muito maravilhosas, e por ter atingido (mesmo que parcialmente) os meus objetivos.

Sem contar que, ao vir pra Europa, eu tava louca pra ver uma certa boyband, a qual aparentemente estava dando o maior hiato da historia, e eu já estava conformada que não os veria… E ai que, ha alguns dias, foi anunciada uma mini-turnê pra tocar as suas velharias. Quando? Pouco antes de eu voltar pra casa. Pois é. Vou poder vê-los e satisfazer a Amanda de 12 anos que não se aguentava na própria calcinha só de ver foto desses meninos (os shows não vão ser na França, mas se eu não estivesse aqui, eu não teria o menor acesso a esse milagre).

França, acho que te amo?