Eu li e assisti: Dracula

Acho engraçado como alguns clássicos perduram pelos anos, e as vezes a gente os conhece mesmo sem nunca ter tocado no texto original. O que aconteceu quando li Dracula de Bram Stoker (1897) foi que eu fiquei com a sensação de estar o tempo todo lendo um clichê, quando na verdade eu estava apenas me deparando com algo que caiu no senso comum, mesmo que eu nunca tivesse efetivamente lido algo assim (!)

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Também foi um bom desafio ler esse livro porque foi um dos primeiros que experimentei de ter em outra língua (em francês, e com la suas 650 paginas – muita coragem, eu sei). Foi uma experiência bem legal de aprendizado, ao mesmo tempo que foi uma leitura que me entreteve bem.

A historia começa com Jonathan Harker, que é convidado pelo Conde Dracula a visita-lo em seu castelo na Transilvânia para discutir negócios. Apesar dos moradores da cidade alertarem o rapaz de tomar certas precauções e ficar de olhos abertos para determinados acontecimentos, Jonathan decide ser profissional e ignorar esses alertas… até o momento em que ele começa a conectar fatos bizarros, e finalmente se sentir prisioneiro no estranho castelo do conde.

Mas Jonathan Harker não é o único personagem desse livro. Na verdade temos ainda Mina, sua mulher; Lucy, que é amiga de Mina; o Dr Seward, o Dr Van Helsing, entre outros personagens que fazem toda diferença para desvendar os mistérios do Conde Dracula. Cada um com sua teoria, uns mais céticos do que outros, mas a historia se desenrola de forma que aos poucos, cada um vai se vendo envolvido e intrigado com as peculiaridades que cercam o conde – e que não podem ser meras coincidências.

O livro conta a historia através dos diversos olhares dos personagens, sendo registrado por como cartas e diários (o que é chamado de romance epistolar). Dessa forma, a gente entende os fatos da historia de um jeito bem interessante: a partir da subjetividade de cada personagem, a gente vai montando o quebra-cabeças pra entender o que realmente esta acontecendo. Por vezes, inclusive, certas coisas não precisam nem ser claramente descritas para que a gente entenda que aconteceu, e na minha opinião isso foi uma das coisas mais legais que vi.

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Achei, porém, um livro muito longo e a historia podia ser mais resumida em alguns trechos. Ainda assim, gostei muito da mitologia explicada pelo autor, de como é a natureza dos vampiros, e tal. É bem interessante ver o inicio de todas aquelas coisas que se diz sobre vampiros (o alho, o crucifixo, os morcegos, a relação de vampiros com lobos, o meio de mata-los, etc) e ver como isso caiu no senso comum, mas hoje as pessoas se apropriam disso, ou fazem releituras dessa mitologia de formas muito individuais (vide Crepúsculo).

O filme que assisti foi a versão de 1931, imagino que a primeira adaptação desse livro para o cinema. Achei uma experiência ótima, diga-se de passagem!

É até meio cômico ver como a época usa efeitos visuais muito caretas pra realmente visualizar o que o livro narra. Como uma boa moça do século XXI, tenho que confessar que a lista de vergonha-alheia é enorme: os morcegos voando (que você nota que são de alguém no backstage pendurando um morcego de plastico numa linha, balançando no mesmo lugar pra parecer que ta voando); o efeito de iluminação nos olhos do Conde Dracula quando se da um close no seu rosto; etc etc.

Sério, é um festival de breguice – mas se for assistido pensando com a cabeça da época em que o filme foi feito, dou todo respeito. Para aquele tempo são efeitos muito legais e inéditos, que realmente causam sensações no espectador, e que certamente contribuíram para a imersão no terror da historia. Fico imaginando principalmente as reações do publico a esses closes e esse exagero nas atuações. Uma coisa até teatral, ainda; poucas sutilezas. Mas confesso que isso me divertiu muito, e eu acabei gostando mais do que esperava!

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A historia é contada em uma hora e meia (tempo razoável pra um filme), sem encher-linguiça, num ritmo muito bom  (o tempo todo tem algo relevante acontecendo!) Um dos pontos mais fortes, na minha opinião, foram os interiores do castelo: ele é maravilhosamente montado, bem icônico, com tudo que você imagina que existe num castelo de vampiro! Porém, um dos pontos fracos foi relacionado às atuações que às vezes deixam a desejar… mas não culpo os atores; acho que é porque realmente alguns personagens são chatinhos e não me cativaram o suficiente para eu gostar deles no livro, quanto mais no longa. :p

Conclusão: achei que super valeu a pena, as duas experiências. Foi bem divertido conhecer oficialmente esse clássico, e acho que todo mundo dar uma chance a essa leitura uma vez na vida.

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Esse post faz parte do projeto 12 Leituras!

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Favoritos de maio

Tenho notado cada dia mais que a minha vida é feita de curtos periodos de euforia com coisas pequenas – aquele tipo de euforia que passa em duas semanas, mas enquanto dura, é uma Senhora Euforia(tm). Sei que varias das coisas que me viciam durante o mês podem ser (e, na real, acho realmente que serão)  esquecidas no mês seguinte, me deixando pro resto da vida com a sensação de “putz, em que época da minha vida isso aconteceu mesmo?”. Pelo bem da minha memoria, e consequentemente da minha saude mental, resolvi fazer uma listinha dos favoritos do mês:

Dia favorito: No meu aniversario me dei de presente um ingresso para o show de Muse, na turne mundial do album Drones. O ingresso estava guardadinho nos meus documentos ha pelo menos uns seis meses, então no total não foi uma bolada tão forte no bolso (inclusive foi muito interessante experimentar pela primeira vez a minha passagem de ônibus internacional por menos de 10 euros!). Mesmo tendo comemorado longe de casa foi um dia muito otimo, que recebi de videozinho a textão, pude ouvir ao vivo uma banda que admiro, assistir a um espetaculo de cenografia, passar pela minha primeira chuva de confete e brincar com balões gigantes no meio da multidão. E claro, ver ao vivo um drone-nave-fantasma sinistro e gigante sobrevoar a minha cabecinha, como eu não esperava ver tão cedo. “Mercy” vai me marcar com um sentimento muito bonzinho.

Outfit favorito: Seguindo a linha blogueira, que inclusive considero pacas, confesso que aderi à moda das calças pantalong. E finalmente comprei minha tão desejada ~papete holografica, cujo nome não poderia ser mais mongoloide, mas é meu orgulhinho pessoal. Antes disso era a moda das calças de moletom, que eu também aderi e resolvi que espero que continue na moda pra sempre. Ta pra nascer tendência mais confortavel.

Musica favorita: Fugindo do obvio Muse, esse mês foi de redescobertas. Depois de fazer minha playlist de nostalgia no Deezer, redescobri Busted com What I Go to School For, Cobra Starship com The City is at War Prostitution is the World’s Oldest Profession, e tudo que existia de McFLY, especialmente na época do Room on the Third Floor )’: Por muito pouco não vou poder ir no show de volta deles – que estava marcado pra Junho (quando eu ainda estaria na Europa), mas infelizmente por motivos de saude, a banda precisou remarcar pra Setembro (quando eu ja vou estar no Brasil). Além disso eu acabei descobrindo Walk the Moon com a musica Shut up and Dance, que é bem na vibe que eu gostava na pré-adolescencia, e talvez agora redescobrindo as musicas que eu gostava naquela época, acabei deixando essa grudar na minha cabeça pela semelhança.

Canal do YouTube favorito: Estou momentaneamente viciada nos vlogs de viagem da Dani Noce e nas dicas de fotografia do Andre Pilli. De verdade, são videos que tem me inspirado diariamente a correr atras de novos pontos de vista, de poetizar coisas que podiam ser vlogadas com simplicidade e sem emoção, mas esses dois canais fazem um trabalho monstro e maravilhoso com imagens. De arrepiar literalmente.

Queria poder listar mais coisas como livro ou filme favorito, mas acabou que, apesar de ter sim lido e assistido coisas diferentes, não pensei em nada que tenha me marcado a ponto de eu querer destacar. Então vou deixar essa lista de favoritos assim, no ar mesmo, e da proxima eu vejo como encaixo melhor outras categorias :p