Eu assisti: Paprika

Senhoras e senhores, com vocês, um diretor muito sensacional (o qual eu nunca vi ninguém falando e por isso às vezes eu acho que só eu goito, mas na verdade um monte de gente admira, porem coincidentemente nunca cruzaram comigo): Satoshi Kon.

O primeiro trabalho dele que vi foi Tokyo Godfathers, que entra fácil-fácil na minha lista de favoritos pra vida. Na época que vi, lembro que me senti a diferentona de ter dado de cara com um filme tão bom que ninguém comentava – e talvez esse ate tenha sido um dos motivos de eu ter gostado tanto, pode me julgar. O engraçado é que isso já faz uns anos, e mesmo tendo pesquisado sobre este homem na época, não sei como eu não continuei assistindo sua filmografia. Então, finalmente dando continuidade ao projeto de conhecer seus filmes, resolvi começar pelo fim: Paprika.

Paprika é um filme muito maravilhoso e um ótimo exemplo de que animação não é so coisa de criança, obrigada. Foi o ultimo longa de Satoshi Kon, é relativamente recente (pra quem, como eu, considera “recente” tudo que veio depois do ano 2000) e já inspirou muitos outros filmes, como Inception (!!!). O filme é de 2008, baseado num livro de 1993 de Yasutaka Tsutsui, produzido pela Mad House, distribuído posteriormente pela Sony Entertainment. E, como já disse, dirigido pelo tal Satoshi Kon, que é super aclamado no Japão, e já tem até um tipo de assinatura visual bem distinta no ramo da animação.

Agora calma, a historia: tudo começa quando roubam um dispositivo de monitoramento de sonhos, chamado DC-Mini, que esta ainda sendo produzido e aprimorado em laboratório. Considerando que o dispositivo ainda não foi finalizado, podemos deduzir que este não pode ser usado desregradamente por aí, portanto, é uma grande ameaça. Quando os proprios pesquisadores do dispositivo começam a enlouquecer sonhando acordados, a Dra Atsuko Chiba, psicoterapeuta e tambem pesquisadora do projeto, assume a identidade virtual da garota Paprika e começa a investigar dentro dos sonhos quem é o responsavel disso tudo.

Sabe Inception, que eu falei ali em cima? Se assistir aos dois filmes em sequencia, vai ver que tem varias cenas inspiradas – o proprio Nolan chega a comentar isso em entrevistas.

Acima de tudo, Paprika é uma animação muito fluida e criativa, e tira todo proveito possível dos recursos visuais que a animação 2d permite – como por exemplo, na ligação entre cenas diferentes de forma bem fantasiosa como a trama pede. Como maior exemplo, eu recomendo fortemente assistir as cenas dos créditos iniciais do filme, que é uma das minhas partes favoritas, nesse link aqui (vai vai vai vai, clica logo, não se arrepende!)

Na verdade, eu não sabia até ver um dos videos que cito no fim do post (o “Time and Space”), mas Satoshi Kon tem uma facilidade em fazer conexão entre cenas, que não acontecem apenas em Paprika, porem se tratando desse fime, é legal assistir esse especificamente dando destaque à transição entre os sonhos, que é uma das coisas mais legais.

Sem contar que ele foge, como o Miyazaki, da dramatização exagerada, das caracterizações irreais dos personagens de anime comuns (vide fanservice, cabelos coloridos, olhos verticalmente desproporcionais, etc), e essas coisas estilizadas demais. Não vou dizer que é uma representação 100% realista porque ai seria uma grande mentira, e ate tiraria um pouco da graça do desenho. Mas a conclusão é que: não exagera onde não precisa, é todo desenhado na medida certa.

Outra curiosidade muito legal é que, de acordo com as minhas fontes (que podem não ser muito confiaveis por motivos de: é so a internet), foi a primeira trilha sonora usando Vocaloid, que é um software de sintese de voz que basicamente gera a musica com letra e tudo, completamente no computador (e eu passei anos achando que Vocaloid era um anime, com aquela menina do cabelo azuzeverde que deu tanto sucesso que resultou ate em show de tanto que as pessoas gostaram da cantorinha – mas ok, isso não é assunto pra agora).

Conclusão da historia é que: é um otimo exemplo de animação para adultos. Recomendado, A+, pode procurar.

Por fim, é bom ressaltar que é uma pena que Satoshi Kon não esteja mais entre nos ): Hoje, dia 24 de agosto, fazem seis anos. Foi um cara altamente inspirador e criativo, e se ainda estivesse na ativa, seria ainda mais aclamado. Ele viveu tempo suficiente para escrever suas ultimas palavras, explicando toda sua situação (que na época foi levada com discrição e foi pouco divulgada), e sua despedida.

 

 


Interessante ver também:

Livros:
Satoshi Kon: The Illusionist, de Andrew Osmond.
Kon’s Work 1982-2010, de Satoshi Kon (artbook)

Videos:
Anime – Industry Spotlight: Madhouse, do canal AnimeEveryday
Anime – Industry Spotlight: Satoshi Kon, do canal AnimeEveryday
Making of Paprika – Parte 1 / Parte 2

Outras leituras:
20 animações japonesas que todo mundo deveria conhecer, do AdoroCinema
Ultimas palavras de Kon (Ingles)

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Eu assisti: Zootopia

Quando resolvi assistir Zootopia foi por “protocolo”. Não que o trailer, ou a historia, ou qualquer coisa tenha me deixado desinteressada; pelo contrario: o trailer foi sob medida pra não estragar as surpresas do filme, já apresentava umas piadinhas que eu achei engraçadinhas e tal… mas na minha cabeça não tinha nada interessante pra me colocar naquela expectativa de ver o filme. Eu iria ver eventualmente, mas sem pressa. Talvez assistiria até depois que saísse dos cinemas, sei la.

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Talvez tenha sido porque nas ultimas semanas eu estive numa vibe muito animações-para-adultos; Talvez tenha sido por estar desacreditada na capacidade dos filmes 3D de contar uma historia boa alem do seu visual foderosamente trabalhado; Talvez tenha sido o fato de saber que tinha uma musica clichê da Shakira pra divulgar o filme. Não sei. Muitas possibilidades.

Mas dai o destino aconteceu. E eu acabei indo ao cinema mais cedo do que planejava, e gostei muito mais do filme do que esperava (obrigada, Deus). E da musica da Shakira também.

zootopO que vale é a intenção do fanart, não é mesmo?

Zootopia (sem o subtitulo brasileiro por motivos de: não sou obrigada) é a nova animação da Disney, que se passa num universo onde os animais são desenvolvidos. Eles vivem numa sociedade onde “predadores” e “presas” convivem civilizadamente, mas… ainda ha um certo preconceito no ar quanto à natureza de determinados animais, sua predisposição a realizar determinadas atividades, ou na sua forma de servir à sociedade. E é nesse cenário em que a “pequena e indefesa” coelha Judy Hopps decide se tornar uma policial. Todo mundo fica com um pé atras com essa ideia porque, afinal, ela é uma coelha. Nasceu pra procriar e plantar cenoura. Como poderia designar uma tarefa como a de uma policial?! (Depois tem toda a historia de ela se envolver com a raposa-malandra, o tal Nick Wilde, mas não é o meu foco comentar sobre essa parte da historia)

O filme traz uma forte mensagem feminista, que, diga-se de passagem, me orgulha muito. Ha uns tempos eu estava refletindo sobre a evolução dos filmes de animação, desde a Branca de Neve (princesa indefesa, salva pelo príncipe), passando por Mulan (mulher forte e independente), chegando a Frozen e Brave (explicando a importância de outros tipos de amores até mais importantes que o romance de casal) até chegar na pergunta “mas e agora, qual é o próximo passo?” Fui muito bem surpreendida quando Zootopia trouxe exatamente uma das questões que mais se conversa hoje em dia: a de que “eu posso ser exatamente tudo que eu quiser ser”. E melhor, numa linguagem simples e perfeita para crianças e adultos.

Depois fui pesquisar sobre os diretores do filme e não me surpreendeu ver nomes como Byron Howard (Bolt, Enrolados), Rich Moore (Detona Ralph) e Jared Bush (Operação Big Hero). São nomes que, confesso, eu ainda não conhecia de cor, mas sei que realizaram boas animações dentro da Disney separadamente. Quem diria o que conseguiriam fazer juntos?

Enfil. Filme.

Não só temos a mensagem feminista muito visível na personagem feminina quebrando barreiras e lutando por igualdade, como também temos a barreira de segregação, quando vemos muito claramente o preconceito atingindo animais que “por natureza” supostamente deveriam agir de determinada forma, mas não necessariamente o fazem.

Outra coisa que me impressionou, novamente na questão do feminismo, foi que, embora eu tenha visto o boom de fanarts de Zootopia nas redes sociais, e muitos deles tenham incluido o ship principal do filme, durante os 110 minutos que sentei minha bunda na cadeira não vi uma menção sequer de romance. Na verdade, ha uma amizade muito forte e verdadeira, mas que em nenhum momento é apontada como romance. Não, eu não sou contra essa brincadeira de shippar personagem (inclusive, adoro), mas também admiro que os criadores de Zootopia não tenham tido o cuidado de não deixar traços de romance aparente no filme. Nada de coraçõezinhos, de palpitações, cenas pre-beijo… nada, nada, nada. Tem apenas a historia de uma parceria muito maravilhosa. E isso ganha muitos pontos comigo, pelo menos.

Alem disso, ha um plot twist digno de Megamente (que foi a ultima animação que me surpreendeu assim, na medida do possível). Foi tudo muito bem escrito, de uma forma que fez o filme seguir todo no ritmo certo, apresentar o plot twist no momento certo, desfechar na hora certa, e claro, da forma certa. O ritmo todo do filme é maravilhoso.

Isso sem contar as referências à cultura pop – meu DEUS, como eu amo quando vejo referências assim! São sutis, mas perfeitas para que adultos que tenham assistido O Poderoso Chefão e Breaking Bad deem suas risadinhas abafadas, espremidinhos na cadeira, sem que as crianças notem que não estão compreendendo completamente as piadas que vêm de universos paralelos àquele do filme.

Outra coisa que eu me peguei lendo na internet, e depois pensando sozinha eu achei super interessante foi: como a cenografia do filme descreve muito sobre aquele universo. Lembro que ha uns anos, quando entrei na faculdade de Arquitetura e Urbanismo (a qual estou bem perto de finalizar, alô alô, graças a Deus), vi um grupo de estudo sobre “Arquitetura e Cinema” e achei super legal como conseguiam correlacionar duas coisas aparentemente tão distintas pra chegar à conclusão de como a arquitetura conta a historia junto com os acontecimentos do filme (na época eu não tinha me tocado que cenografia é uma area que se encaixa dentro de arquitetura). Depois que vi alguém comentando sobre o urbanismo de Zootopia na internet, me peguei pensando que “caramba, realmente, quem inventou isso teve umas sacadas sensacionais”. Sacadas, essas, que incluem soluções de acessibilidade, igualdade perante as mais variadas espécies de animais que coexistem… ou não. Porque, às vezes, a sacada é que essa arquitetura também gera segregação. A cidade é cheia de alternativas pra receber todo tipo de espécie no dia a dia, mas quando chega em determinados locais, de repente, não é mais, remetendo à segregação que falei ali em cima. E isso é algo que conta a historia, sem que esta precise ser narrada explicitamente.

Foi, sem duvidas, um filme 10/10 – na medida do possível porque, tem que lembrar sempre que é um filme inicialmente infantil, mas ainda foi sensacionalmente escrito e produzido.

Recomendo tambem:

Todos os posts sobre Zootopia no The Concept Art Blog

Step by step: Mulan!

Quando se tem vontade de praticar, e ao mesmo tempo inspiração insuficiente pra fazer uma peça autoral, a gente vai la e faz fanart, né?

Então tome um fanart dessa menina bonita, nesse mês bonito, pra comemorarzinho o Dia Internacional da Mulher (‘:

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Minha garotinha, tão crescidinha e… salvando a china!


Entããão…

Talvez eu tenha resolvido colocar o print à venda.
Talvez tenha disponível em almofada.
E caneca.
E tote bag.
E capinha de celular.
E adesivo.

Talvez esteja disponivel no meu Colab55.